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A Inteligência Artificial já consegue monitorar covenants. Mas você confiaria nela?

A Inteligência Artificial já consegue analisar contratos, identificar informações e apoiar o monitoramento de covenants. Mas até onde podemos confiar nela quando estão em jogo obrigações financeiras, riscos e decisões importantes?

A Inteligência Artificial já consegue monitorar covenants. Mas você confiaria nela?

A Inteligência Artificial deixou de ser apenas uma promessa para o mercado financeiro.

Ela já está sendo utilizada para analisar documentos, extrair informações de contratos, automatizar processos e apoiar o monitoramento de operações de crédito.

E essa evolução chegou também aos covenants.

Em setembro de 2026, a S&P Global publicou um estudo mostrando aplicações reais de Inteligência Artificial em operações de crédito. Entre elas está o uso de IA para extrair informações de contratos e apoiar o monitoramento de covenants.

Segundo a instituição, modelos de linguagem já são capazes de capturar até 200 pontos de dados em contratos de crédito que podem chegar a 500 páginas.

É um avanço significativo.

Mas ele também levanta uma pergunta que talvez seja ainda mais importante do que a própria tecnologia:

Se uma Inteligência Artificial disser que determinado covenant está sendo cumprido, você confiaria nela?

Ler um contrato não é a mesma coisa que compreendê-lo

Contratos financeiros podem ser extensos e complexos.

Uma única obrigação pode envolver datas, fórmulas, índices financeiros, exceções, condições, documentos comprobatórios e referências a outras cláusulas do próprio contrato.

É justamente nesse tipo de cenário que a Inteligência Artificial começa a demonstrar grande capacidade.

Ela pode ajudar a localizar informações em documentos extensos, identificar cláusulas, extrair datas e valores, organizar dados e permitir que profissionais encontrem rapidamente informações que antes exigiriam uma leitura manual muito mais demorada.

A PwC, em sua pesquisa global sobre private credit de 2026, aponta justamente a análise de covenants, a extração de informações de documentos, a automação de workflows e o monitoramento de portfólios entre os casos de uso atuais da IA no mercado de crédito.

Mas existe uma diferença importante entre encontrar uma informação e tomar uma decisão com base nela.

Onde a IA já pode ajudar muito

Imagine um contrato com centenas de páginas.

Em vez de procurar manualmente determinada cláusula, um profissional pode perguntar:

“Quais são os covenants financeiros deste contrato?”

“Qual é a periodicidade de apuração?”

“Existe alguma obrigação com vencimento neste trimestre?”

“Em qual cláusula está definida essa obrigação?”

“Quais documentos estão relacionados a esse compromisso?”

Esse tipo de interação muda significativamente a maneira como profissionais podem trabalhar com grandes volumes de informação.

O ganho não está apenas em fazer algo mais rápido.

Está em permitir que uma pessoa consiga consultar, cruzar e localizar informações que poderiam estar dispersas em documentos extensos.

E é justamente nesse ponto que a Inteligência Artificial pode se tornar uma ferramenta extremamente relevante para a gestão de covenants.

Mas existe um limite importante

A mesma IA capaz de localizar uma cláusula em segundos também pode interpretar incorretamente um contexto, ignorar uma exceção ou apresentar uma resposta que parece convincente, mas não corresponde exatamente ao que está estabelecido no contrato.

Por isso, utilizar Inteligência Artificial em processos críticos exige mais do que simplesmente conectar um modelo de IA aos documentos de uma empresa.

É necessário contexto.

É necessária rastreabilidade.

É necessário controle.

E, principalmente, continua sendo necessária a participação humana.

A própria S&P Global descreve uma abordagem em que especialistas validam resultados, analisam exceções e mantêm padrões de qualidade nos processos apoiados por IA.

A tecnologia acelera o trabalho. A responsabilidade pela decisão não desaparece.

O maior risco talvez seja confiar demais

Existe uma característica particularmente interessante nas ferramentas modernas de Inteligência Artificial: elas conseguem produzir respostas extremamente convincentes.

E justamente por isso uma resposta bem escrita não deve ser confundida automaticamente com uma resposta correta.

Quando estamos falando de uma informação genérica, um erro pode representar apenas um pequeno inconveniente.

Quando estamos falando de uma obrigação contratual ou financeira, a situação é diferente.

Uma interpretação incorreta pode significar uma obrigação não cumprida, um prazo perdido ou uma decisão tomada com base em uma informação inadequada.

Por isso, em gestão de covenants, a pergunta não deveria ser apenas:

“A IA consegue responder?”

A pergunta deveria ser:

“Eu consigo verificar de onde veio essa resposta?”

Essa diferença é fundamental.

A melhor combinação talvez não seja IA ou pessoas

Existe uma tendência natural de discutir Inteligência Artificial como uma disputa entre tecnologia e trabalho humano.

Na gestão de covenants, essa provavelmente é a discussão errada.

A combinação mais interessante é outra:

Tecnologia para ampliar a capacidade das pessoas e pessoas para validar aquilo que exige julgamento.

A IA pode ajudar a processar grandes volumes de informação, encontrar cláusulas, identificar dados e facilitar consultas.

Profissionais continuam sendo fundamentais para compreender contexto, avaliar exceções, interpretar situações específicas e tomar decisões.

A PwC chega a uma conclusão semelhante em sua pesquisa de 2026: os casos de uso mais maduros são justamente aqueles em que os resultados produzidos pela IA podem ser verificados por pessoas. Já atividades como negociação autônoma de covenants e decisões que envolvem maior julgamento permanecem em estágio muito menos avançado.

E onde o IW-Covenants entra nessa evolução?

Essa transformação também está chegando à maneira como desenvolvemos o IW-Covenants.

A plataforma foi criada para estruturar a gestão de obrigações contratuais e financeiras, mantendo contratos, covenants, responsáveis, prazos, documentos e históricos dentro de um processo organizado e rastreável.

A Inteligência Artificial acrescenta uma nova camada a esse processo.

Recursos de extração de informações podem apoiar a identificação de cláusulas em documentos, enquanto os Agentes de Conversa permitem uma nova forma de interação com as informações contratuais, por meio de perguntas em linguagem natural.

A proposta não é substituir o profissional responsável pelo contrato.

É permitir que ele chegue à informação de maneira mais rápida e tenha melhores ferramentas para realizar seu trabalho.

Então, devemos confiar na Inteligência Artificial?

Talvez a pergunta precise ser reformulada.

Não se trata de confiar cegamente ou simplesmente não confiar.

Trata-se de entender para quais tarefas a tecnologia está preparada, quais informações precisam ser verificadas e quais decisões continuam exigindo julgamento humano.

A Inteligência Artificial já demonstra capacidade para transformar a maneira como contratos e covenants são analisados e monitorados.

Mas quanto mais importante for a decisão, mais importantes também serão governança, rastreabilidade e validação.

O futuro da gestão de covenants provavelmente não será feito apenas por Inteligência Artificial.

Também não será feito ignorando-a.

Será feito por profissionais que souberem utilizar a tecnologia com contexto, controle e responsabilidade.

E talvez essa seja a verdadeira transformação que está apenas começando.

Fontes e referências

S&P Global Market Intelligence
AI in Lending Operations: Delivering Faster, More Accurate Outcomes — setembro de 2026.
Estudo sobre aplicações de Inteligência Artificial em operações de crédito, incluindo extração de dados de contratos e monitoramento de covenants.
https://www.spglobal.com/market-intelligence/en/news-insights/research/2026/09/ai-in-lending-operations-delivering-faster-more-accurate-outcomes

PwC
Global Private Credit Survey 2026
Pesquisa global sobre a evolução do private credit e a utilização de Inteligência Artificial em atividades como análise documental, análise de covenants, automação de processos e monitoramento.
https://www.pwc.com/gx/en/industries/private-equity/private-credit-survey.html

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